Quem conta um conto, aumenta um ponto....nesse caso...vários pontos...
Baby An - O futuro dirá...
Baby An frutificou absolutamente incompatível com o DNA nórdico da mãe, uma bela loira, inconfundível no trato familiar, pois vibrante, vivaz, hiperativa, decidida, intemerata e definitiva em tudo que fazia nas azáfamas do dia a dia, pensou gerar fisicamente uma rebenta mais compatível ao seu DNA invulgar. Filha de pai descendente de italianos e mãe dos países de lingua eslava, causou um frisson dar à luz e fazer aparecer à família aquela figurinha tipicamente amorenada, olhos rasgados, cabelos lisos e escorridos como modelados pelas águas de um corrego andino. Sim, a criaturinha mais se assemelhava à uma cria Inca, talvez alguma vertente genética ligada ao pai, um milongueiro portenho que seduziu a esfuziante loira ainda em sua pré-adolescência. O pai da loira, experiente militar, pau calejado de tanto bater em doido, testemunhou o nascimento da neta ,um pouco cabreiro e incrédulo, "cobrando" da loira/filha a exoticidade daquela figurinha, pois poderia até parecer com o japa vendedor de pastel da feira de sexta, mas jamais com o arredio pai. Pois bem, a menininha foi crescendo e sempre sob o jugo onipresente, até opressor e rigoroso da mãe, tornou-se uma adolescente hipo-dependente, cujo cordão umbilical físico-fetal desligou-se e secou normalmente, mas jamais se rompeu no imaginário da menina, já então moça. Cresceu, adolesceu, ingressou num grupo de capoeira, para gáudio de toda a família e em especial da preocupada mãe, que julgou ser aquele ato uma ruptura definitiva da inter-dependência uterina e o começo de uma carreira solo para aquela potencial e futura mãe de família, como si. Ocorreu que a loira aumentou a prole e "encomendou à cegonha" mais 3 filhos, outras duas meninas e um menino, que passaram a conviver sob o irrestrito, único e absoluto controle maternal, pois a loira se desvencilhou por completo dos maridos e tocou a vida ao seu rítmo, solo, impondo aos rebentos um severo controle, rédea curtíssima, amigos restritos, gastos controlados, uma verdadeira regência espartana, sob os aspectos materiais e morais. Isso tudo incultiu na Baby An, filha mais velha, um perfil de extrema responsabilidade, um comprometimento com a vida simples, sem esbanjamentos e acabou por moldar-lhe uma atitude incompatível com sua condição etária, passando a ser uma moça-idosa nos
atos, uma velha-coroca, como sentenciaria a avó materna tempos depois. Taciturna, afeiçoada ao seu cantinho doméstico, às suas coisinhas materiais, seus objetos, seus discos, livros, onde certamente estaria e se sentiria sob os olhos e a proteção da mãe. Inteligente, passou à frente de uma prima-irmã, (que optou por encher-se de filhos ainda cedo), no aperfeiçoamento do idioma de Sheakspeare, tornando-se uma docente de primeira linha, já que uniu a técnica e o domínio da exótica lingua ao seu perfil sério, constrito e até mal-humorado. Sim, a "Morena Filha da Loira" passou a ser uma ranzinza contumaz e paradoxalmente ao seu apego ao cantinho materno ousou, de repente, auto-destruir seu casulo familiar e "partiu" para o mundo. Embarcou num transatlântico internacional de passageiros e lá, numa espécie de volta ao útero materno, vítima de uma recaída, uma recidiva tática, internou-se numa cabine por alguns anos, só saindo para cumprir sua faina diária à bordo, retornando sistematicamente à sua cabine para "batucar" as teclas do computador e "viajar" de encontro aos seus entes mais queridos, através das telas cibernéticas e em especial ao ventre virtual da mãezona. Matava aí a saudade e sentia-se , confortavel e seguramente, dentro de seu "mundinho", o indispensável útero materno,agora boiando ao sabor das ondas do mar, ao invés do líquido amniótico.Mas, como a vida segue, assim como vai e vem, acabou por desembarcar, reunir-se e colar-se, novamente, à sua figura única, eterna referência, a loira-mãe, já então meio sem paciência, naquele de exclamar para si: "DE NOVO, MEU, CARACA, NINGUÉM MERECE..." Porém, como sói acontecer, herdou a moreninha-capoeirista a força dominadora da mãe e, intempestiva e surpreendentemente, acabou por desposar um jovem rapaz, ainda imberbe, a quem subjugou emocionalmente e encabrestou antes mesmo de se casar, cuidando para que todos os passos do garoto ficassem sob seus absolutos desígnios. Afinal, a conquista era de relevo, ele saído dos "TEEN" e ela já meio balzaquiana, com os pés nos TRINTÃO, porém fazendo "uma força danada" p´ra parecer-se um frescor juvenil, uma relvinha fresquinha, nascida ainda na madrugada anterior. Não obstante e a bem dos fatos, uma considerável diferença numérica, com as tias, a vivida e verborrágica vó-materna e toda família balançando preocupadamente a cabeça, olhando lá no futuro e prevendo trovoadas pela proa. Porém, a mãe, A ETERNA MÃEZONA, eternamente 'aliviando" a barra, a considerar: "SÃO AMBOS BEM JOVENS, PARA COM ISSO MEU, PÔ, DEIXA OS DOIS EM PAZ!!! Até o seu nome de família impos ao cônjuge, num ineditismo fantástico. Um verdadeiro Guinnes ao Contrário, um Récorde ao Avesso, isto é, o primeiro marido no Brasil que adotou o nome da Esposa, quando, até então, 100% das esposas brasileiras adotaram o nome do marido. Liutkevicius no nome, o reticente e neófito esposo passou a ser um apêndice automático da dominadora esposa. Essa dragou, incorpou e absorveu toda a aura dominadora da mãe e colocou, literalmente, no alegre, expedito e incauto esposo um "ship" em seu celular, monitorando todos os seus passos, diuturnamente, até aqueles em que o pobre marido ia ao toilette satisfazer suas necessidades originais. Clipado, o jovem submeteu-se de todo, inclusive rindo-se da sua inédita condição, sendo mesmo repreendido oral e até fisicamente, a cada instante, desde que ousasse reclamar publicamente do seu monitorado dia a dia. O "maridinho" a, estrado saía de casa ás 4 para ir trabalhar em SP e tão logo descia até o térreo para pegar o ônibus interurbano tinha que passar uma mensagem via celular para a megera, dando-lhe ciência de algum atraso, alguma intercorrência. Assim que o ônibus principiava a subida da Serra, tinha que expedir outra, dando conta se havia neblina ou se alguma "periguete" havia se alojado ao seu lado. Batia o ponto no trabalho logo ás 8 horas e em seguida, ato-contínuo expedia mais mensagens. E assim principiou a surreal e incomum relação matriarcal de um jovem rapaz com uma adolescente-coroa, chegando ao ápice da coercitiva esposa "bloquear", além de seus passos pelas redondezas, os canais de TV que veiculassem alguma "coisa" sobre sexo. Afinal, o noviço esposo poderia se "empolgar" e tornar-se um fugidio sexual-mental.Cumpridas todas as obrigações profissionais, a dominadora esposa tratava de enclausurar o jovem esposo em casa. Seu mau-humor atávico e a eterna indisposição em expor-se ao sol, à claridade, à vida, aos compromissos sociais e a qualquer ensejo que não as 4 paredes de seu domínio absoluto a descompensavam irremediavelmente. Adorava se o dia amanhecesse chuvoso, pois era um motivo natural para não saírem nem à porta de casa.Se nada tinham a fazer no dia seguinte, trancavam-se no quarto e de lá só o permitia sair para ir ao banheiro, assim mesmo o tempo necessário para que reequilibrasse suas funções fisiológicas, tendo que retornar em seguida e ficar ao seu lado, porta fechada, breu total, até as altas horas da manhã, já princípio de tarde. Uma vez por mês, quando do início do ciclo mentrual, a vida do casal beirava o colapso. Sob a desculpa da TPM e de uma suposta intercorrência pós-operatória, enrolava-se nos lençóis e exigia que o pobre esposo jazesse silente ao seu lado, acompanhando solidariamente todas as suas cólicas e espasmos, para que lhe "DESSE O VERDADEIRO CRÉDITO" de coitada, sofredora, mártir de um mundo que não lhe acolheu como ela o queria. E qual mais explicações para a reclusão, quase um cárcere privado, ou um convento de Clarissas??? Quiçá o perigo das ruas, um eventual assalto, a multidão, as pessoas sem educação, os ciclistas malabaristas, enfim o mundo externo, e também as periguetes oferecidas, que para a eterna e mal-humorada ex-capoeirista deveriam não mais subsistir.Quem sabe ela e o Maridinho/GPS num iglu nos confins do Canadá, qual esquimós, país onde sonha se transferir e residir em definitivo, para que ninguém mais a tire de suas convicções, seu ensimesmamento atávico, um latente subjetivismo psicótico.Quem sabe assim possa viver eternamente e sem mais sobresssaltos ao lado do rapagão, podendo liberá-lo um pouquinho mais, até para um rolezinho nas cercanias do iglu-mater, podendo brincar um pouquinho com as focas e admirar de longe o vai e vem das ursas-brancas?Aí sim, sabe lá Deus, trazer ao mundo um filho, fato que até agora renega de joelhos, e consagrá-lo incondicionalmente à alguma bem-aventurada mulher. Mas, e se vier uma filha, esculpida em carrara como a Baby Ann? Advirá um genro tal e qual o conformado GPS ????... O futuro dirá !!!
P.S: Qualquer semelhança é mera coincidência!